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Proteja a Caatinga, 2023

Geotinta sobre algodão cru, tigela de barro, areia de rio, quartzos rosa e coroa-de-frade.

 

Hoje, a Caatinga vem perdendo seus componentes florestais em decorrência de ações predatórias que, há séculos, vêm destruindo seus recursos naturais para a prática da pecuária extensiva, mineração exacerbada, extração de madeira para a produção de carvão e, mais recentemente, pela monocultura de energia renovável centralizada. A Caatinga está em risco de desertificação e, mesmo sendo o único bioma exclusivamente brasileiro, ainda não é considerada um patrimônio nacional, ficando cada vez mais vulnerável para a apropriação territorial das grandes corporações. Com sua biodiversidade e geomorfologia únicas, é vista apenas como um celeiro para alimentar, cada vez mais, o antropocentrismo. "Proteja a Caatinga" é uma bandeira de (re)existência.

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Carta-manifesto, 2023

Técnica mista, carvão sobre tecido de algodão cru

2m X 1m

Texto da carta-manifesto:
Não existe energia limpa quando a terra é explorada para atender as necessidades de grandes conglomerados. Não existe energia limpa quando hectares são desmatados para a implantação desenfreada de torre eólica e placa solar. Não existe energia limpa quando as serras são cortadas violentamente para fazer estradas, acarretando a perda de uma biodiversidade local, transformando o curso da natureza e alterando um ecossistema. Não existe energia limpa quando árvores nativas centenárias são arrancadas com o discurso ilusório da compensação das matas, pois o reflorestamento de fachada não equivale ao sistema florestal de uma mata antiga. Não existe energia limpa sem a inclusão das comunidades rurais, quilombolas e indígenas. Não existe energia limpa sem a transparência de diálogo com a população, sem um projeto de conscientização ambiental nas cidades exploradas e sem a introdução de educação climática nas escolas. O que existe é um modelo mercadológico de produção, apropriação territorial e controle dos recursos naturais para a expansão do capitalismo. Além de empregos temporários para a classe trabalhadora, contratos vantajosos para as empresas e uma renda impermanente para o comércio local, os grandes empresários se aproveitam dessa situação local para manter as multinacionais. Isso não é sustentabilidade. O que está acontecendo em solos sertanejos é um neocolonialismo. Energia limpa pra quem?

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Vale Sabugy, 2023

Cerâmica sobre terra e pedras da Caatinga

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Colheita sobre concreto

Técnica mista sobre dejetos de concreto em tamanhos variados 2022 - 2023

Antes, nos negaram o direito de conviver com a natureza; tiraram-nos a percepção de estarmos integrados à Terra. Perdemos a consciência de que somos parte da biodiversidade, onde a interligação dos conjuntos é essencial para a harmonia dos reinos. Quando o capitaloceno arranca a terra para cobri-la de concreto, perdemos nossa capacidade de cultivar. A civilização nos afastou do direito à terra, do direito à autonomia alimentar. Sem terra, não há como cultivar, não há como produzir a nossa própria comida — e todo ser humano tem o direito de plantar seu próprio alimento, livre de veneno.

Terras nativas são invadidas e arrancadas diariamente por máquinas a serviço da construção civil. Territórios são desmatados e abertos para a construção de condomínios, prédios e usinas em nome do progresso. Qual é o limite dessas invasões? Terra é para ser protegida e cultivada, terra é para ser retomada, terra é para gerar colheita. É tanto cimento que já não existe espaço para plantar.

"Colheita sobre Concreto" confronta a realidade da autonomia alimentar em declínio no Antropoceno. Pelo direito fundamental de acesso e cultivo da terra, reafirmamos: temos o direito de cuidar e plantar. Esta obra é, ao mesmo tempo, um lamento e um tributo — lamento pelas pessoas mantidas reféns de produtos carregados de agrotóxicos, e homenagem sincera à agricultura familiar. É também uma reverência aos meus ancestrais, que cuidaram da terra e promovem uma conexão profunda entre o solo e os alimentos que dele brotam.

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Memória Caatingueira, 2024

Geotinta sobre algodão cru, cerâmica e elementos orgânicos sobre terra.

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Força que brota, 2023

Chocalho de vaca suspenso e mandacarus sobre areia de rio.

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Lugar, 2021

Elementos orgânicos, ossadas de bode e quartzos-branco sobre areia de rio.

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Nova Terra, 2021

Seixos escritos, zamioculca e terra.

Yasmin Formiga 

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