Vale Sabugy
Quero viver entre as serras do Vale Sabugy
Assim como viveram as que vieram antes de mim
Vestir a sabedoria das pedras que só tem no Seridó
E depois me despir em lajeiro
Que memoriza a marca da chuva escorrida
Quero viver entre as serras do Vale Sabugy
Esperar o mês de setembro para assistir o desabrochar das craibeiras
Serpenteando em amarelo o Rio da Barra
E transcendendo em energia telúrica as encantarias de um território
Quero viver entre as serras do Vale Sabugy
Me nutrir do olho d'água rumoroso
Brotando do coração terrestre
O percurso mais fluido que faz vibrar o ritmo da existência
Quero viver entre as serras do Vale Sabugy
Despertar com as cores das cascas do mulungu
E arder em macambira ao sol do meio dia
Aprendendo com os espinhos dos cactos a ser um tipo de folha rara
Quero viver entre as serras do Vale Sabugy
Ser conduzida pelos mistérios da mata branca
Evocando a Caatinga
Me camuflar com o cheiro da sua pele
Para encontrar Mãe Sunila
